Agentic Artificial Intelligence - Resenha crítica - Jochen Wirtz
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Agentic Artificial Intelligence - resenha crítica

Tecnologia e Inovação e translation missing: br.categories_name.artificial_intelligence

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 979-8-9928336-0-7

Editora: Irreplaceable Publishing

Resenha crítica

Agentic Artificial Intelligence

Você já terminou o dia exausto, olhou para a lista de tarefas e percebeu que passou oito horas formatando relatórios, respondendo e-mails repetitivos e agendando reuniões que poderiam ter sido um clique? A frustração não é falta de competência sua. É um descompasso histórico: durante duas décadas, a tecnologia foi ótima para pensar junto com você, mas péssima para agir por você.

Pascal Bornet e mais 26 profissionais que implementaram automação inteligente nos últimos quinze anos perceberam algo que muda esse jogo. A inteligência artificial deixou de apenas prever a próxima palavra e começou a executar fluxos inteiros, sozinha, enquanto seu computador está fechado. Eles chamam isso de IA agêntica — sistemas que percebem, planejam, agem e refletem sem precisar de você apertando "enter" a cada passo.

O que vem nos próximos minutos não é especulação. É o mapa concreto de como essa transição já está reorganizando empresas inteiras, redefinindo o que significa ser produtivo e, principalmente, o que significa permanecer relevante quando o trabalhador ao seu lado nunca dorme, nunca reclama e custa uma fração do seu salário.

A ponte entre raciocínio e execução

Por anos, o ChatGPT e seus primos foram brilhantes conselheiros e péssimos funcionários. Sabiam redigir um e-mail impecável, mas não conseguiam enviá-lo. A virada acontece quando os Grandes Modelos de Linguagem (o cérebro) se fundem com a Automação de Processos Robóticos (as mãos). Essa fusão é irreversível, e o atendimento ao cliente já responde por 35% das implementações bem-sucedidas — o ganho rápido que paga a conta da transformação maior.

Para entender onde estamos, vale conhecer o framework SPAR: Sense, Plan, Act, and Reflect. O agente sente o ambiente, planeja uma resposta, age sobre sistemas reais e reflete sobre o resultado. Sobre esse esqueleto, o Agentic AI Progression Framework descreve cinco níveis, do trabalho 100% manual até a autonomia plena. Hoje o mercado opera majoritariamente no Nível 3, em que o agente orquestra várias ferramentas e adapta a tática ao contexto.

Aqui entra o Paradoxo da Instrução: quanto mais inteligente o agente, menos técnica precisa ser sua ordem. Você passa de programador a gestor. Diz "organize a campanha de Natal respeitando o orçamento" e o agente decide o caminho — como faria um funcionário sênior recém-contratado.

O alienígena metódico dentro da máquina

Os agentes funcionam como trabalhadores digitais 24 horas por dia, escaláveis, quase universais. Mas têm defeitos severos. São estocásticos: a mesma pergunta pode gerar respostas diferentes. Não têm senso comum sobre o mundo físico. Alucinam fatos com a confiança de um vendedor experiente. E carecem de julgamento ético próprio.

Quando os autores soltaram o Anthropic Computer Use — um agente generalista que mexe na tela do computador como um humano — para jogar Universal Paperclips, viram algo fascinante e perigoso. O agente formulou hipóteses, rodou testes A/B, processou imagens com método. Mas otimizou a métrica errada: focou na demanda em vez da receita. Cumpriu a ordem literal, ignorou a premissa de negócio. Em outros experimentos com o Computer Use mexendo em planilhas e navegadores, a equipe presenciou o agente clicando em coisas que ninguém pediu, completando formulários com dados inventados.

A solução são os Sistemas Multi-Agentes, ou MAS. Em vez de um único agente sobrecarregado, você cria uma equipe: um Tradutor interpreta o pedido, um Executor age, um Avaliador critica, um Orquestrador coordena. A carga cognitiva se fragmenta. As abordagens "alienígenas" da IA passam a ser supervisionadas por outras IAs e por você, antes de virarem desastre.

O kit curado de ferramentas

Existe uma tentação irresistível em dar ao agente acesso a tudo: cinquenta APIs, vinte bancos de dados, controle total do navegador. É a receita do Grande Incidente do Vinho — episódio em que um agente com acesso amplo a um e-commerce de bebidas executou uma cadeia de ações aparentemente lógicas que terminou em prejuízo operacional grave.

O Paradoxo do Acesso a Ferramentas é claro: entre 4 e 6 ferramentas, o agente performa muito bem. A partir daí, a precisão despenca. Cada nova opção é uma nova chance de escolher errado. Por isso vale o princípio "um agente, uma ferramenta", combinado com Function Calling — um padrão técnico que força entradas e saídas estruturadas, como formulários rígidos em vez de conversa solta.

Para decidir o que entra no kit, use a Matriz de Resiliência de Ferramentas, classificando cada recurso por nível de controle e impacto operacional. Ferramentas críticas exigem backup automático ou escalonamento para um humano. Ferramentas resilientes podem rodar sozinhas. É curadoria, não buffet livre.

O poder do raciocínio lento

Daniel Kahneman descreveu o pensamento humano em dois sistemas: o Sistema 1, rápido e intuitivo, e o Sistema 2, lento e deliberativo. Os primeiros LLMs eram puro Sistema 1 — chutavam respostas em milissegundos com base em probabilidade. Os novos Large Reasoning Models, ou LRMs, como o OpenAI o1, finalmente operam no Sistema 2.

A mudança é arquitetural. Antes, escalar IA significava treinar com mais dados. Agora significa dar ao modelo mais tempo de inferência — mais segundos para pensar, testar hipóteses internas, descartar caminhos errados. Um experimento revelador foi pedir a um LRM que resolvesse palavras cruzadas: o modelo construiu um mapa de interdependências entre as pistas, algo que LLMs comuns falham em fazer com consistência.

E quando você junta LRMs em arquiteturas de debate, vários agentes discutindo a mesma resposta antes de entregá-la, o erro desaba. É um peer review automático, mais barato que treinar modelos massivamente maiores. O Paradoxo da Escala se resolve: pensar melhor venceu pensar maior.

A arquitetura da memória

Já ligou para uma operadora de telecomunicações três vezes seguidas e teve que explicar o problema do zero em cada ligação? Essa amnésia digital é o estado padrão de chatbots sem arquitetura de memória. O agente parece inteligente, mas começa do zero a cada interação.

A solução tem três camadas. Curto prazo é a Janela de Contexto, limitada a alguns milhares de palavras. Longo prazo se divide em memória semântica (o que o agente sabe), procedural (como ele faz) e episódica (o que viveu com você), tudo armazenado em bancos de dados vetoriais. Por cima, Loops de Feedback registram acertos e erros, gerando melhoria contínua. A técnica de RAG, Retrieval-Augmented Generation, busca a informação certa no momento certo, sem entupir a janela de contexto.

Memória sem governança é bomba-relógio. Dados sensíveis precisam de anonimização, esquecimento agendado e conformidade com regulações de privacidade. Sua empresa não pode lembrar para sempre — algumas coisas o agente precisa esquecer por design.

A anatomia do primeiro agente

A pergunta certa não é "o que automatizar?", mas "por onde começar?". O Modelo dos Três Círculos cruza Alto Impacto, Viabilidade e Baixo Esforço. Recuse automações complexas demais no primeiro round. Procure tarefas com alta fricção administrativa e baixa criatividade — esse é o terreno fértil.

Sobre esse alvo, aplique o framework A.G.E.N.T.: Agent Identity (quem é, o que faz), Gear & Brain (qual modelo, quais ferramentas), Execution & Workflow (fluxo passo a passo), Navigation & Rules (limites, escopo, restrições) e Testing & Trust (validação contínua). O exemplo prático do livro automatiza uma newsletter semanal: um agente busca fontes, outro sumariza, um terceiro compila e formata. Resultado: 80% de economia de tempo, todo sábado.

A decisão entre plataformas no-code, low-code e full-code depende do setor. No-code dá velocidade para protótipos. Full-code dá controle granular quando regulamentação aperta. Comece minimalista. Velocidade e confiabilidade vencem perfeição técnica em qualquer rodada inicial.

A economia Agent-as-a-Service

A próxima onda de empreendedores não venderá software. Venderá resultado autônomo. É o nascimento do modelo Agent-as-a-Service: em vez de você assinar uma ferramenta de marketing, contrata um agente que entrega a campanha pronta, com leads qualificados, métricas medidas, otimizações já rodadas. Você paga pela entrega, não pelo acesso.

Mais radical ainda é a economia Agent-to-Agent, ou A2A. Agentes com carteiras digitais negociam suprimentos, contratam serviços e fecham contratos inteligentes entre si, intermediados por Web3 e criptomoedas, sem fricção humana. A Pets at Home, gigante britânica de varejo pet, reestruturou sua arquitetura com agentes atuando como interface completa — de gestão de estoque a agendamento veterinário — alcançando 99,6% de precisão operacional. Em cadeias de suprimentos, agentes preveem rupturas antes delas acontecerem. Em vendas B2B, monitoram o ciclo de vida da conta e coordenam negociações longas.

A oportunidade maior está nos Agentes Verticais: nichos profundos como auditoria de conformidade governamental, orçamento de obras complexas, gestão de litígios. Mercados bilionários esperando quem chegar primeiro com profundidade real, não generalismo raso.

Orquestrando equipes híbridas e quebrando silos

Aqui mora o problema real: menos de 1% das empresas conseguem escalar agentes de Nível 3 com sucesso. O resto morre em provas de conceito isoladas. Por quê? Porque automatizar sem reestruturar silos de dados é colocar Ferrari em estrada de terra.

O primeiro obstáculo é humano. Mapeie o "dia na vida" do colaborador com a IA presente, inclua o profissional no desenho da automação, e a paranoia da substituição vira entusiasmo. O Modelo de Autonomia Progressiva ajuda: comece com humano supervisionando cada decisão, migre gradualmente para validação por amostragem, alcance autonomia plena só onde a confiança foi calibrada. O Agentic Collaboration Capability Model define as novas competências gerenciais: orquestrar sistemas, delegar com ética, mapear dependências.

O segundo obstáculo é estrutural. A Regra 80/20 do redesenho diz: identifique os 20% das atividades que consomem 80% dos recursos administrativos e reestruture tudo em torno delas. Não automatize departamentos isolados — desfragmente os dados, redesenhe o fluxo transversal, meça sucesso por retenção, satisfação e gargalos reduzidos, não só por corte de custos.

Habilidades insubstituíveis e o pacto social que vem

Joseph E. Aoun, no livro Robot Proof, alerta para o Paradoxo da Adaptação: a velocidade com que as máquinas aprendem está encurtando a janela em que humanos conseguem se requalificar. O ciclo histórico de "aprenda uma profissão, viva dela 30 anos" colapsou. A escola atual, herdeira da revolução industrial, prepara crianças para tarefas que agentes farão melhor antes delas se formarem.

A aposta dos autores são as habilidades Humics: Autenticidade Social, Criatividade Genuína e Pensamento Crítico. Em torno delas se organizam três prontidões: Change-Ready é a capacidade de absorver mudança sistêmica sem paralisar; AI-Ready é supervisionar dependências entre agentes, entender seus limites, calibrar confiança; Human-Ready é o cultivo do que máquinas não conseguem replicar — empatia real, julgamento ético, presença autêntica. Reformar a educação rumo a aprendizados baseados em fenômenos reais, negociação ética e colaboração digital deixou de ser opcional.

E vem a discussão maior. Se funções procedurais desabarem em massa, o que sustenta a renda das pessoas? John Maynard Keynes previu, em 1930, que a tecnologia traria semanas de 15 horas. Errou no calendário, acertou no princípio. A Renda Básica Universal, ou UBI, sai do debate acadêmico e entra na pauta política realista. Some-se a isso o risco de desalinhamento em larga escala — agentes otimizando métricas cegas, distanciados de valores humanos, como aquele jogador de Universal Paperclips, só que controlando hospitais ou redes elétricas. Os autores pedem cooperação global em três frentes: cibersegurança coordenada, freios morais embutidos por design e responsabilidade jurídica clara de quem desenvolve e opera essas tecnologias.

O que sobra para você

O valor saiu da execução de rascunhos e migrou para a orquestração inteira do fluxo. Quem dominar a regência das equipes digitais, blindando-as com ética e amplificando o que é insubstituivelmente humano, não competirá com a máquina — caminhará à frente dela. As próximas 48 horas são suas.

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Quem escreveu o livro?

Tom Davenport detém a cadeira de presidente em Tecnologia da Informação e Gestão da Babson College. Seus livros e artigos sobre a reengenharia de processos, gestão do conhecimento, gestão atenção, a produtividade do trabalhador do conhecimento, e competição analítica ajudaram a estabelecer cada uma dessas idéias de negócios. Ele é autor ou co-autor de nove livros para Harvard Business Press, mais recentemente Competing on Analytics... (Leia mais)

Jochen Wirtz é vice-decano, Pós-Graduação, o diretor fundador do UCLA grau duplo - NUS Programa de MBA Executivo (classificada globalmente nº 6 no Financial Times de 2016 rankings EMBA), e Professor de Marketing na Universidade Nacional de Cingapura (NUS). Além disso, ele é um companheiro internacional do Centro de Investigação Serviço na Universidade de Karlstad, na Suécia, e Acadêmico Acadêmico do Instituto Cornell de Futuros saudáveis ​​(CIHF) na Universidade de Cornell, EUA. Anteriormente, o Dr. Wirtz foi um Fellow Associado da Saïd Business School da Universidade de Oxford (2008-2013), e um membro fundador do Ensino Academy NUS, a NUS think-tank sobre questões de educação (2009-2015) .dr Wirtz é Ph.D. em serviços de marketing da London Business School. Sua pesquisa se concentra em marketing e gestão de serviços, e publicou mais de 200 artigos acadêmicos, capítulos de livros e relatórios da indústria (incl. Cinco características em Harvard Business Review). Seus mais de 10 livros incluem Marketing de Serviços - Pessoas, Tecnologia, Estratégia (World Scientific, 8ª edição, 2016), ganhando em Serviço Markets (World Scientific, 2017), e Fundamentos de Serviços de Marketing (Pearson Education, 3ª edição, 2017). Com traduções e adaptações para mais de 26 países e regiões e vendas combinadas de cerca de 800.000 cópias, eles tornaram-se globalmente levando livros de texto de serviços de marketing. Seus outros livros incluem Voo altamente em uma indústria competitiva: Secrets of a Companhia Aérea Líder Mundial (co-autoria com Heracleous e Pangarkar, McGraw Hill, 2009) .Em reconhecimento da sua excelência em ensino e pesquisa, Professor Wirtz recebeu mais de 40 prêmios, incluindo a Academia de Ciências marketing (AMS) 2012 P... (Leia mais)

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